Todo ser humano é teórico
Todo homem, toda mulher constrói teoria. Ninguém no mundo vive sem fazer teoria. Vejamos o que o Professor Pedrinho Guareschi1 diz:
“ No dia-a-dia da vida, a gente vai vendo fatos, acontecimentos um a um, singulares. São milhares de fatos que eu vejo por dia: um acidente, um homem escutando rádio, uma criança que morre. Acontece que a gente, mesmo sem se dar conta, começa a descobrir semelhanças entre os diversos fatos, isto é, vai juntando os fatos. Por exemplo: percebe que a maioria dos acidente se dá nos dias de chuva: então liga o acidente com a chuva. Percebe que o homem, em geral, está escutando esporte: junta homem escutando esporte com o rádio. Percebe que as crianças que morrem são sempre crianças pobres, dificilmente morre uma criança rica: junta morte de criança com pobreza. “(2004, pág. 16)
Pronto, formulamos um generalização, uma lei sobre algo. Peguemos o caso da chuva: quando chove, acontecem mais acidentes. Os acidentes acontecem com mais frequência em ruas movimentadas. Assim vamos observando e construindo leis: quando chove acontecem mais acidentes e com maior frequência em ruas movimentadas .
A partir de uma lei, de uma generalização sobre algo vão surgindo outras. Quando existem algumas leis sobre um determinado tema, podemos dizer que temos uma teoria. No exemplo acima fizemos um teoria sobre acidentes. E assim, quando temos um número de teorias sobre algo, passamos a ter uma ciência de tal assunto. Ou seja, ciência o conjunto das teorias.
Todos nós temos teorias sobre casamentos, sobre como criar filhos, sobre o papel da mulher na sociedade, sobre o que os políticos deveriam fazer. Todos/as nós teorizamos. E fazemos isso a partir da realidade que observamos. Contudo, como dizia Karl Marx, se aparência fosse essência, não haveria ciência. Justamente porque não podemos compreender as coisas, o mundo, apenas observando que precisamos testar nossas teorias, verificar se elas correspondem mesmo a realidade.
Vamos pensar juntos/as: 1.Vemos nossa avó cozinhando, nossa mãe cozinhando, logo pensamos: mulheres sempre cozinham. Daí chega o/a Cientista Social e pergunta: Se homens e mulheres possuem a mesma capacidade para aprender a cozinhar, porque, na maioria das vezes, são as mulheres que cozinham? 2. Quando entramos em uma universidade e vemos que quase todos são brancos, podemos pensar que eles tem mais facilidade para entrar na universidade. Sabendo que todos os humanos, independente de sua raça/etnia, possuem as mesmas capacidades intelectuais, o/a cientista social deve se perguntar: Qual a razão de os/as negros/as entrarem em menor quantidade nas universidades?
O/a Cientista Social tem o trabalho de verificar se as teorias são verdadeiras ou não. Contudo, apenas ouvir alguém dizer que algo é científico não basta. Precisamos saber como esse alguém testou, como descobriu se era científico ou não. Vejamos outro exemplo: é comum a gente ver pessoas na televisão nos dizendo o que é o que não é arte. E cada um diz uma coisa. Arte também é ciência, há umaciência da arte. Algumas vezes ouvimos dizer que só é arte a arte como a do Picasso, Van Gohg, essas que a gente vê em museu. Outros vão dizer que é arte o que tem na Bienal, coisas abstratas. Outros vão dizer que tudo isso arte, mas que grafite também arte, que pichação também é arte, que Hip Hop também é arte. O que quero dizer com isso é que a ciência não tem somente uma versão sobre aquilo que ela estuda. Nenhuma ciência tem. Os/as estudiosos/as de todas as áreas possuem teorias diferentes, encontram respostas diferentes. Como ninguém consegue explicar tudo sobre algo, a melhor teoria é a que explica melhor, levando em consideração o maior número de leis.
1GUARESCHI, Pedrinho. Sociologia crítica: Alternativas de mudança. Porto Alegre: Mundo
Jovem, 2004, 55ª ed.
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